Assentados no nortão ameaçam com foices expulsar ‘grileiros’ de terra

19/02/2011 08:15

Um projeto de assentamento em União do Sul (680 km de Cuiabá – microrregião de Sinop), sob nome Jaguaribe, é o cenário de um conflito agrário que pode chegar ao extremo, caso não haja intervenção do Estado, inclusive com derramamento de sangue. É o que prometem os primeiros assentados na área, que há dez anos vivem no local.

Um dos parceleiros, que preferiu não se identificar, informou, por telefone,  que invasores de terra estão querendo ‘tomar’ parte da área de 600 hectares. “Estamos desde o ano 2000 nessa terra, inclusive temos uma dívida com o governo federal para pagar, e agora esses grileiros querem se apossar de nosso suor”, reclamou.

O conflito entre assentados e os ditos grileiros já dura três anos, porém, o problema se agravou nesta semana, quando um homem conhecido como Otaviano resolveu “cortar” a fazenda no meio, fazendo um picadão de aproximadamente dois mil metros. “Esse Otaviano arrancou quase 200 pés de seringa e fez essa estrada no meio da nossa terra”, disse a fonte.

Diante da invasão, um grupo de aproximadamente 30 parceleiros da Jaguaribe foi até o seringal para ‘acertar contas’ com Otaviano. Armados de foice e facão, o grupo de assentados queria tirar satisfação com o invasor. Porém, o homem, que havia usado um trator de esteiras para arrancar os pés de seringa, não estava mais na picada.

Os assentos reclamam o corte de cerca de 200 pés de seringa traz prejuízo econômico, já que boa parte das famílias da Jaguaribe vive da extração do látex. Além disso, apontam que o tal Otaviano já fora associado do assentamento, vendeu a parte dele para outro e resolveu invadir os fundos da fazenda.

No projeto foram investidos cerca de R$ 6 milhões para aquisição da fazenda (por meio do extinto Banco da Terra) e construção de 210 casas, além de equipamentos agrícolas (com recursos do Pronaf). Essa dívida está no nome dos parceleiros e boa parte não consegue honrar o compromisso anual com o Banco do Brasil, que foi a instituição financeira operadora do empréstimo.

Agora, motivados pela abertura do picadão e o corte ao meio da fazenda, os parceleiros resolveram acionar a Justiça pedindo reintegração de posse, ao mesmo tempo em que vigiam o seringal. Também querem que Otaviano seja acionado por crime ambiental pelo corte dos pés de seringa.

Otaviano e as cerca de 30 famílias que acamparam nos fundos da fazenda já foram retirados do local, com ordem judicial, há cerca de dois anos. Porém, voltaram a invadir a terra e construir novos barracos.

Otaviano não foi encontrado  para comentar as acusações dos assentados.

Foto: Adriano Alves

Fonte:Olhar Direto


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