Desarticulada quadrilha que tinha apoio de PMs

07/04/2011 22:46

Entre presos pela Polícia Federal estão 3 irmãos de Várzea Grande que lideravam crimes de roubo a caixas eletrônicos, veículos de cargas e empresas

 

Superintendente da PF compara organização a uma máquina de guerra da antiguidade que atirava dardos para todos os lados

Silvana Ribas
Da Redação

Uma quadrilha que atuava em roubos a caixas eletrônicos, veículos de cargas e empresas foi desarticulada pela Polícia Federal durante a operação "Balista", com a prisão de 2 policiais militares do 4º Batalhão de Várzea Grande que davam apoio ao grupo. Quatorze mandados de prisão preventiva foram cumpridos, dos 15 emitidos. As prisões se concentraram em Cuiabá e Várzea Grande, mas também foram presos investigados nas cidades de Tangará da Serra (239 km a médio-norte de Cuiabá) e na cidade de Tatuí (SP), onde atuava um braço do grupo.

A diversidade das ações da quadrilha, integrada por mais de 20 pessoas, se compara a uma máquina de guerra da antiguidade que atirava dardos para todos os lados, indistintamente, lembrou o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, Valmir Lemos de Oliveira. A atuação dos criminosos foi descoberta durante investigações de tráfico de drogas, crime com o qual o grupo tinha ligação estreita. Durante a operação foram apreendidas armas, munições, drogas e dinheiro.

As investigações começaram em outubro do ano passado e apontaram os irmãos agropecuaristas de Várzea Grande, Genivaldo de Souza Machado, Genildo de Souza Machado e Gilmar de Souza Machado, como os líderes do grupo. A família Machado é tradicional quando se trata de crimes, já que um dos irmãos, José Maria Machado, já foi condenado a 91 anos e 6 meses de prisão por tráfico de drogas e 4 assassinatos.

O sucesso das ações comandadas pelos "Machado", que planejavam os roubos, resultou em uma expansão do grupo a ponto de criminosos que trabalhavam para eles começarem a comandar novas frentes, inclusive concorrendo com a família.

Os policiais militares presos são Everton Nobres da Silva, 29, e Elson Luís da Silva Moraes, 30, que davam cobertura à ação da quadrilha, monitorando o policiamento nas áreas em que ocorreriam os crimes. Por terem privilégio às informações, alertavam quando uma viatura em rondas se aproximava do local onde o crime era cometido.

Foi o que aconteceu na noite do dia 15 de março, quando parte da quadrilha invadiu o Edifício Milão, em Cuiabá e rendeu o vigilante. Três criminosos foram presos em flagrante depois do roubo a um caixa eletrônico do banco Santander. O trio foi localizado por policiais militares do 10º Batalhão, em rondas, na região da Ponte Nova, em Cuiabá.

O grupo estava dividido em 4 veículos e apenas um deles foi parado, onde estavam os equipamentos usados para o roubo. Foram presos Alexandre Eurico Flores, 36, Josimar Pedro da Silva, 23, e Orivaldo da Costa Nazário, 24. Os três estão entre os 7 membros da quadrilha que já estão em unidades prisionais e foram ouvidos ontem. Segundo o delegado federal Fernando Salomão, chefe da delegacia de Combate aos Crimes Contra Patrimônio, mesmo presos, os acusados continuavam mantendo contato e trocando informações com outros membros da quadrilha.

Na época da prisão deste grupo um dos membros da quadrilha chegou a ligar para os PMs e oferecer R$ 5 mil para que os 3 fossem liberados. O dinheiro chegou a ser jogado diante de uma escola, no bairro Cidade Alta, e entregue à Policia Civil. Nesta ação já havia sido apontada a participação de policiais.

A última ação de que o grupo pode ter participado é o roubo aos 2 caixas eletrônicos do Banco do Brasil, na noite de terça-feira. Os caixas estão instalados na Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), onde um vigilante foi rendido e amarrado. São pelo menos 14 crimes investigados, onde o grupo orquestrado pelos irmãos "Machado" atuou. Entre eles o furto qualificado a Clínica Odontológica Denteclin, em Várzea Grande, que contou com a participação de uma ex-funcionária, que muniu o grupo com informações privilegiadas. O arrombamento ocorreu no dia 3 de fevereiro. O assalto ao caixa eletrônico do supermercado Comper, no dia 24 de fevereiro. O assalto ao posto de combustível, no posto Gaivota, no dia 16 de fevereiro.

Quatro integrantes do mesmo grupo já foram presos por porte ilegal de arma, flagrados pouco antes de um roubo que seria praticado no dia 28 de dezembro do ano passado. A Polícia Federal investiga, por parte dos policiais militares, o fornecimento de armas para a prática dos crimes.

O roubo de veículos de cargas, possivelmente para serem usados como moedas de troca para trazer cocaína da fronteira com a Bolívia, também é uma das ações investigadas. O grupo é apontado como autor do sequestro e roubo de um caminhão que acabou abandonado depois que apresentou problemas mecânicos. Ontem, a PF informou que 3 pessoas envolvidas neste roubo e sequestro do motorista foram presas na operação.

Outro braço é a distribuição de cargas de medicamentos de uso controlado. O fornecedor de uma carga roubada e que foi receptada pela quadrilha foi preso no interior de São Paulo. Segundo a PF, os medicamentos teriam como destino farmácias localizadas principalmente no médio-norte do Estado.

Segundo o delegado Fernando Salomão, os mandados de prisão e os 18 mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Várzea Grande. Destaca que mesmo não sendo atribuição da Polícia Federal a investigação deste tipo de crime, não havia como ignorar a ação da quadrilha que a cada dia ampliava mais suas ações, em vários ramos. Ressaltou que após o fechamento da operação, com o encaminhamento do inquérito para a Justiça, a Polícia Civil poderá dar sequência às investigações, já que a quadrilha tem muitos outras ramificações.

A Polícia Militar, por meio da assessoria de imprensa, informou que só vai se pronunciar sobre a ação dos PMs presos após receber o procedimento da PF. Ontem, os 2 soldados foram ouvidos na PF, na presença de um corregedor da PM e encaminhados ao Presídio Militar de Santo Antônio do Leverger.

Fonte:Gazeta Digital


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