Greve na educação atingirá 30 mil trabalhadores a partir do dia 6

31/05/2011 03:53

Cerca de 30 mil trabalhadores da educação da rede estadual estarão em greve a partir da próxima segunda-feira (06). A decisão foi aprovada por unanimidade durante a assembleia geral realizada na tarde de hoje (30), na Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá.  O indicativo de greve proposto pelo Conselho de Representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), ontem (29), foi aprovado por aproximadamente dois mil trabalhadores de 90 municípios de Mato Grosso.

A categoria considerou, por unanimidade, que a proposta da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) não contempla a reivindicação. “Já realizamos estudos que comprovam que é perfeitamente factível o Piso Salarial de R$ 1.312,00 para os profissionais da Educação sem ultrapassar os 60% previstos na legislação”, ressaltou o presidente do Sintep/MT, Gilmar Soares Ferreira. Ele se referiu à Lei Complementar (LC) 388/2010, que fixa esse percentual no Art. 5°.

A última proposta enviada pela secretária de Estado de Educação, Rosa Neide Sandes de Almeida, à entidade previa, além dos 10% de reajuste, mais 3% em dezembro de 2011 e assegurava o Piso Salarial de R$ 1.312,00 no primeiro quadrimestre de 2012. O ofício foi encaminhado após audiência conjunta com os secretários ou representantes de Estado de Administração, Cesar Roberto Zilio; de Planejamento, José Gonçalves Botelho do Prado; de Fazenda, Marcel de Souza Cursi; e secretário-Auditor Geral, José Alves Pereira Filho.

Além disso, a aprovação da Mensagem 31 do governo do Estado pelos deputados estaduais, na quarta-feira (25) à noite, causou insatisfação aos trabalhadores da educação, pois fixa o subsídio dos Profissionais da Educação Básica e o vencimento dos Especialistas em Educação, rompendo com o processo de negociação com a categoria. “O desrespeito à LC 388/2010 e a falta de transparência do Poder Executivo está influenciando as decisões dos profissionais da educação da rede estadual”, acrescentou Gilmar Soares.

Os trabalhadores da educação também colocaram em pauta os atos públicos a serem realizados, a hora atividade para professores contratados, a posse imediata de professores concursados e o avanço da lista dos classificados nos concursos. Segundo o presidente do Sintep/MT, Gilmar Soares, “a qualidade de vida está relacionada diretamente com qualidade da educação. Com professores trabalhando três turnos para conseguir sobreviver, não podemos exigir educação de qualidade”.

Ato público - No dia 06 de junho, início da paralisação, os trabalhadores da Educação participarão de audiência pública sobre Educação, às 14 horas, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), e em seguida farão protesto em frente ao prédio da Casa de Leis. O presidente do Sintep/MT, Gilmar Soares, garante que “a greve será mantida até que o governo do Estado aprove o piso salarial de R$ 1.312,00. Não abriremos mão”. Segundo o sindicalista, serão realizados trabalhos de sensibilização da sociedade, divulgação do movimento grevista e atos públicos na Capital e no interior para garantir que a paralisação aconteça. “A população precisa ter consciência que se houvesse valorização profissional e investimento da educação, o índice de criminalidade não estaria tão alto e não veríamos tantos casos de analfabetismo funcional”, destaca Gilmar Soares.

Insatisfação e revolta – O professor contratado da rede estadual, Robinson Cirea, afirma que o governo do Estado não respeita a saúde, o meio ambiente e muito menos a educação. “Estamos pedindo o mesmo valor de piso salarial que pedimos o ano passado. Entraremos em greve dia seis e só voltaremos às atividades se o governo aprovar o piso, pagar as horas atividades de professores interinos e também chamar os aprovados nos concursos para começarem a trabalhar. A greve é um dos sinais da guerra que travamos contra a falta de investimento”, desabafa o professor.

Para a professora efetiva da rede estadual, Patrícia Acs, a luta de toda a categoria não é somente pelo salário, mas também pela qualidade do ensino e estrutura das escolas. “O que eu sinto como professora é revolta. Quando falamos em qualidade da educação, não falamos somente em salário, falamos de escolas com infraestrutura para acolher os alunos e incentivar o estudo. As reformas em escolas insalubres demoram anos para sair do papel e serem realizadas. Todos os meus alunos querem estudar numa escola bonita, que não corre risco de cair ou pegar fogo“, explica Patrícia Acs.

Fonte:24HorasNews


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