PF prende delegado Pieroni e Josino

10/05/2011 07:05

Acusados pelo MPF de tentar montar farsa para dizer que magistrado está vivo tiveram prisões deferidas pela Justiça ontem, além de mais três acusados

 


 
MP afirmou que conluio foi formado para livrar empresário, que vai a júri pela morte do juiz; Pieroni está no GOE e Josino, na PF em Rondonópolis

O juiz da 7ª Vara Federal, Paulo César Sodré, mandou prender o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Márcio Pieroni, e o empresário Josino Guimarães, além de mais três pessoas. O Ministério Público Federal, autor dos pedidos de prisão, acusa os dois de montar e protagonizar uma farsa na tentativa de levantar suspeitas sobre a morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, cujo corpo foi encontrado carbonizado em 1999, no Paraguai. Os mandados já foram cumpridos pela Polícia Federal e os dois estão presos.

Além de Pieroni e Guimarães, foram presos o responsável pelo Setor de Desaparecidos da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Gardel Tadeu Ferreira de Lima, e o irmão do empresário, Cloves Luiz Guimarães. Abadia Paes Proença, outro alvo de pedido de prisão, já está recolhido preventivamente na Penitenciária Central do Estado sob a acusação de latrocínio.

O MPF também denunciou os envolvidos na suposta farsa pelos crimes de formação de quadrilha armada, denunciação caluniosa, falsidade ideologica, fraude processual, interceptação telefônica para fins não-autorizados em lei, quebra de sigilo funcional e violação de sepultura. Segundo as investigações, o grupo montou uma farsa para “provar” que Leopoldino ainda estaria vivo, livrando Josino, que deve ir a júri popular pelo crime.

O delegado foi custodiado em uma sala da Gerência de Operações Especiais (GOE) no bairro Centro América, em Cuiabá, e Guimarães está preso na sede da Polícia Federal de Rondonópolis, onde o mandado foi cumprido ontem.

Josino Guimarães deveria ser julgado nos próximos meses pelo assassinato do juiz. Os outros dois acusados no caso são Beatriz Árias e seu tio Marcos Peralta. Ela foi condenada a 12 anos de cadeia e ele morreu sem ser levado a júri.

REVIRAVOLTA - Em março, o então delegado titular da DHPP, Márcio Pieroni, conseguiu uma decisão liminar em Cuiabá para proceder a retirada do corpo de Amaral, sepultado em Poconé, e fazer uma nova exumação do cadáver - anteriormente, já havia sido exumado sob a mesma suspeita (ver matéria). A alegação de Pieroni era de que ele descobrira novas supostas evidências que levantavam dúvida sobre a autenticidade dos restos mortais, partindo de uma ficha odontológica que coletou com o dentista do juiz. O delegado também dizia que havia interrogado duas pessoas que afirmavam saber que Amaral estava vivo, morando em algum país da América do Sul.

Porém, no momento em que o exame acontecia no Instituto Médico Legal de Cuiabá, uma decisão da Justiça Federal decretou a imediata interrupção do procedimento, assim como a devolução do cadáver à sepultura. O MPF também foi o autor do pedido. A partir daí, a Polícia Federal começou a investigar a possível farsa, cumprindo mandado de busca e apreensão na casa de Josino Guimarães, o que culminou na denúncia apresentada à Justiça semana passada por um grupo de procuradores da República.

“A acusação refere-se à montagem de um simulacro de investigação paralela comandada pelo delegado Pieroni para tentar levantar suspeitas das provas que subsidiam o processo judicial, em trâmite na Justiça Federal, no qual Josino Guimarães será julgado em breve por um Júri Popular pelo assassinato do Juiz Leopoldino”, traz a nota enviada pelo MPF.

A prisão de Guimarães foi decretada tanto nesta nova ação criminal quanto no processo de homicídio, sob o argumento de manter íntegra a instrução processual. Pieroni teve a prisão decretada por conveniência da instrução e para garantir a ordem pública, já que também foi indiciado por crime de tortura pela Corregedoria da Polícia Civil em outro inquérito para a obtenção de confissão.

Fonte:Diario de Cuiabá

 


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