"Produtores estão dispostos a morrer em Suiá-Missú"

12/09/2012 09:26

 

Posseiros resiste a despejo da reserva de Marãiwatséde, no Araguaia

 

Thiago Bergamasco/MidiaNews

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Renato Teodoro diz que "somente indígenas têm direito"; clima é de guerra, segundo ele

Escrito:Por HELSON FRANÇA
Fonte:Midia News

“É um barril de pólvora. As pessoas lá estão dispostas a morrer, mas não sairão das terras de mãos abanando, muito menos sem ter outro lugar para ficar”. A afirmação é do presidente da Associação dos Produtores Rurais de Suiá-Missu (localizada na reserva de Marãiwatséde, no Baixo Araguaia), Renato Teodoro, ao resumir o contexto atual da região. 

Situada no município de Alto Boa Vista (1.059 Km a Nordeste de Cuiabá), a área é objeto de disputa entre indígenas e posseiros, sendo que estes últimos, conforme decisão da Justiça Federal de Mato Grosso, no dia 1º de outubro, devem começar a deixar o espaço.

Porém, segundo Teodoro, ainda não foi apresentado à comunidade qualquer projeto de plano de retirada da área, ou indícios de pagamento de indenização para os quase 7 mil não-índios que deverão desocupar o local.

Por conta disso, os posseiros têm buscado apoio político, além de realizarem manifestações, para tentar reverter a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 

Desde o dia 4 deste mês, por exemplo, como forma de protesto, os fazendeiros bloqueiam duas rodovias, a BR-158 e a MT-242.

Segundo Renato Teodoro, as rodovias só serão liberadas se representantes do Governo Federal se comprometerem em ajudar os posseiros a resolver a questão. 

Nesta quarta-feira (12), Teodoro, juntamente do senador Cidinho Santos (PR), o advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams e outras lideranças, se reúne em Brasília com o secretário nacional de Articulação Social, Paulo Roberto.

Uma das propostas dos posseiros, que também é endossada pelo Governo do Estado de Mato Grosso, é de transferir os indígenas para o Parque Estadual do Araguaia, de 223 mil hectares (58 mil hectares a mais do que Suiá Missu), situado no município de Novo Santo Antônio (1.063 km a Nordeste da Capital).

Contudo, para que a permuta aconteça, é necessário que a União autorize. Caso contrário, o remanejamento não será possível.

Na região de Suiá-Missu, além dos quase de 7 míl não-índios que lá vivem, encontram-se 72 comércios, duas escolas, dois hotéis e dois postos de combustível. 

Cerca de 72% do município de Alto Boa Vista se situam dentro da área demarcada como sendo dos indígenas.

Por volta de 800 indígenas vivem no local.

Conforme a decisão judicial, os imóveis e comércios desocupados deverão ser alienados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e a indenização, depositada em juízo.

Disputa antiga

A disputa pelas terras de Marãiwatséde é antiga. Na década de 60, os indígenas foram retirados da área por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e remanejados para a reserva de Pimentel Barbosa, num local insalubre, entre os municípios de Canarana e Ribeirão Cascalheira.

A saída dos indígenas foi uma estratégia para estimular a produção agrícola no Estado. As terras foram adquiridas por uma empresa italiana, que, anos mais tarde, foi revendida e transformada num loteamento. 

Atualmente, existem cerca de 600 propriedades rurais na área e 300 mil cabeças de gado.

“É o local onde se percebe a maior reforma agrária já feita no Brasil”, disse Renato Teodoro.

Em 1993, a reserva foi Marãiwatséde foi demarcada e, desde então, os embates jurídicos entre indígenas e posseiros têm aumentado.

Duas sentenças, a primeira proferida pela Justiça Federal em 2007 e a segunda pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em 2010, já previam a ocupação do local exclusivamente por índios da etnia xavante. 

Produtores rurais, no entanto, se mantinham na área por força de liminar, cassada no final de junho.


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