Aldeia em MT usada por Gisele Bündchen em comercial é destruída por fogo

26/08/2011 10:44

Fonte:24HorasNews


Destruição na aldeia no leste do Xingu
fogo se propagou não dando a menor chance de retirarem os pertences de dentro das casas

A aldeia Ngojwêhere, localizada na Terra Indígena Wawi, conhecida também como Região Leste Xingu, anexa ao Parque Indígena do Xingu, foi praticamente destruída pelo fogo. Nada mais nada menos que 17 casas se incendiaram. O desastre aconteceu no dia 18 de agosto e deixou dezenas de índios desabrigados. Notabilizada como cenário para um comercial gravado pela top model Gisele Bundchen,  a aldeia tem uma população de 280 pessoas. O cacique Kuiussi Suyá disse que "o fogo foi como um inimigo que destruiu a sua aldeia e foi embora" tamanha a rapidez da destruição.

Das casas queimadas não restaram absolutamente nada a não serem alguns materiais em aço que resistiram ao fogo como bicicletas, ferramentas, canos de espingardas, facões, foices, machados todos encurvados e sem condições de reutilização. O fogo se propagou com velocidade, não dando a menor chance de retirarem os pertences de dentro das casas, segundo as famílias.


 

O incêndio se originou de uma queimada de lixo no dia anterior, mas foi monitorada até o processo final e apagada. “Possivelmente uma brasa que permaneceu no solo voltou a incendiar com a ventania do dia seguinte e só foi notado quando tomou proporção maior” – diz o cacique Kuiussi, que estava de passagem com sua família na cidade de Canarana, no Vale do Araguaia, quando recebeu a notícia do incêndio. 

Moradores da casa próxima combateram o inicio de incêndio quando ainda se concentrava nos capins e pomares há uns 40 metros da casa. Eles contam que, de repente, ouviram pessoas gritando que a casa estava pegando fogo. “Tudo foi rápido. Em meio a ventania surgiram redemoinhos que disseminou o fogo para as casas vizinhas atingindo volumes cada vez maiores. Moradores subiram na tentativa de apagar o fogo dos telhados de palha, mas o calor era insuportável”, conta Winti Suyá.

Houve pânico geral na aldeia quando o fogo, seguindo os redemoinhos e as direções do vento que mudavam constantemente, foi atingindo as casas. Os pertences que foram retirados e colocados mesmo a uma distância de 30 metros pegaram fogo pela intensidade do calor das chamas. As tentativas de apagar os incêndios pararam quando se começou a ouvir as munições das espingardas disparando em choque com o calor. “Não valia mais a pena arriscar as nossas vidas” -  disseram os moradores.

 O líder indígena contou que ao chegar ainda a noite na aldeia  a primeira impressão que teve era que tudo havia se acabado. Pilares das casas ainda estavam em chamas em meio à escuridão. Destacavam-se também as fogueiras das famílias desabrigadas, acampadas próximas as arvores onde puderam armar algumas redes que restaram. Na manha seguinte observou  a dimensão do que foi destruído. Das 26 casas que formavam o circulo da aldeia, restaram apenas nove em pé:17 casas destruídas, 190 pessoas desabrigadas.

Homens e mulheres contaram os prejuízos, mas concordaram com o líder de que a vida dos maridos, esposas, filhos e netos era o mais importante. “perdi a minha casa, mas posso construir um novo” encorajou Pecorró. “Perdi rede, arcos, flechas, remos cocares, meus enfeites” lamenta outro. Kuiussi, após ouvir a todos, comunica que está confiante de que há muita gente que irá ajudar a sua comunidade a se reerguer. Informa que já tem uma estimativa das perdas. “A perda é grande, não poderemos repor tudo para as famílias, mas já temos a lista de materiais prioritários”. Vamos enviar para as Ongs, Orgãos do governo e pessoas que queiram nos ajudar” – disse.

A relação contem ferramentas para construção de casas, ferramentas para roça, recipientes para fabricação de alimentos e materiais para levantamento de acampamentos.

Diante da comunidade com aldeia destruída pelas chamas, Kuiussi disse que o acontecimento trágico deve servir de lição e que como um inimigo deve ser levado a sério, ser vigiado e deve ser pensada uma forma de prevenção para que outros incidentes como essa não se repita. Lembrou aos jovens do grupo de brigadista indígena em formação, que o ocorrido foi uma experiência para eles, que combater fogo envolve seriedade porque coloca em risco a vida das pessoas.


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