Alunos pagam conta de energia elétrica para ter aula

13/04/2012 08:52

 

Escola não possui banheiros, bebedouros, ventilação e luz própria, em Confresa

 

Uasley Werneck/ Agência da Notícia

 

Nos dias de calor intenso, os alunos têm aula ao ar livre; eles também pagam a energia elétrica

Autor:LISLAINE DOS ANJOS
Fonte:Mídia News

Alunos da extensão da Escola Estadual Sol Nascente, localizada na região de Terra Roxa, zona rural de Confresa (1.180 km a Nordeste de Cuiabá), estão sofrendo com falta de infraestrutura da unidade, que não possui energia elétrica própria, banheiros, bebedouros ou ventiladores instalados para amenizar o calor.

Segundo denúncia feita pelos estudantes ao site Agência da Notícia, a eletricidade utilizada na escola é compartilhada de uma igreja católica, puxada por uma espécie de “rabicho” (ligação clandestina de energia elétrica) e parte das contas de 2011 precisou ser paga pelos próprios alunos.

“Ano passado, a comunidade da igreja cobrou de nós, estudantes, para que pagássemos a conta. Assim fizemos, mas, neste ano, não iremos pagar conta nenhuma. Isso é dever da Seduc (Secretaria de Estado de Educação)”, disse um dos alunos.

Os alunos têm aulas sempre às terças e quintas-feiras. Em dias muito quentes, eles são obrigados a estudar embaixo de um pé de manga. Se precisarem usar o banheiro, os estudantes precisam se descolar até a igreja vizinha para usar o banheiro do local, que não possui vaso sanitário e nem pia, comprometendo a higiene.

Para não passar sede, os alunos levam água mineral de suas residências, em garrafas térmicas ou litro.

Juvenal Jesus dos Santos, de 41 anos, é aluno da escola e explicou que é apenas a vontade de aprender que leva os alunos a enfrentar as adversidades do local, que fica a 36 km de Confresa.

“Aqui não tem banheiro, não tem água, nós  usamos o banheiro da igreja que também está quase caindo. Não tem como a gente estudar na sede e só estamos aqui porque temos vontade de estudar”, afirmou.

Professor no local há apenas dois meses, Geanei Pereira desabafou que lecionar nessas condições é um desafio constante.

“É um desafio, enquanto educador. A infraestrutura ajuda os alunos a ter um ensino melhor, mas dessa forma é um pouco desgastante”, explicou.

Para o educador, uma forma de resolver a situação seria oferecendo transporte para que os estudantes pudessem estudar na sede da escola.

“Se houvesse um transporte para levar estes alunos para estudar na sede, resolveria o problema e não precisaria construir nada aqui”, disse.

As estradas vicinais do município, que dão acesso à sede da unidade escolar, estão em péssimas condições e dificultam ainda mais o deslocamento dos alunos, que afirmam que a Seduc não oferece nenhum meio de transporte para o local

Outro lado

A assessora pedagógica da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em Confresa, Evany Costa, afirmou que tem conhecimento da falta de estrutura da extensão, mas alegou que os alunos preferem ir ao local por ser mais próximo de suas casas.

Segundo ela, a Seduc oferece uma boa infraestrutura na escola sede, localizada a 15 km da extensão, e há um transporte escolar disponível para os estudantes.

“A escola da terra rocha é anexa a uma escola sede. A Seduc já propôs à comunidade escolar local um atendimento em melhor estrutura na sede da escola Sol Nascente, onde há bebedouros, banheiros, ventilação, energia própria e fica distante apenas 15 km da comunidade. Ainda há transporte escolar disponível aos alunos. A situação enfrentada pelos alunos é vivenciada pelo fato da comunidade escolar local ter proposto em 2010 o interesse em estudar naquele local por ser mais próximo de casa”, explicou Evany Costa.

*Com informações de Uasley Werneck, do site Agência da Notícia.


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