Após manifestações, gabinete egípcio Sharaf renuncia, mas militares não aceitam

22/11/2011 10:18
 
 

O gabinete do Egito apresentou sua renúncia ontem (21), enquanto confrontos entre forças de ordem e manifestantes pedindo reformas democráticas eram registrados pelo terceiro dia seguido na Praça Tahrir, no Cairo.

Logo após o anúncio as Forças Armadas do país veio a público e afirmou que não aceita renuncia do atual gabinete de governo. O gabinete formado pelo premiê, Essam Sharaf, e seus ministros tinha como propósito manter a estabilidade politica no Egito até o final do processo eleitoral previsto para o final de 2012. O conselho das Forças Armadas está sondando a possibilidade de um novo chefe de governo para liderar a transição para o regime democrático. Até que não seja definido um novo nome, atual conselho de ministros deve se manter responsável pelo Executivo do país.

Em documento divulgado pela agência de notícias oficial Mena, o porta-voz do gabinete, Mohammed Hagazy, disse que um pedido de renúncia foi entregue ao conselho militar.

- O governo do primeiro-ministro Essam Sharaf entregou sua renúncia ao [governante] Conselho Supremo das Forças Armadas,disse. Devido às difíceis circunstâncias que o país atravessa, o governo vai continuar trabalhando.

Os egípcios elegem um novo parlamento em uma votação por etapas, que começa em 28 de novembro, mas o poder permanecerá com o Exército até a eleição presidencial, que não deve acontecer até final de 2012 ou início de 2013. Os manifestantes querem uma transição muito mais rápida.

As forças de segurança queimaram faixas dos manifestantes. Vídeos postados na Internet, que não puderam ser verificados de forma independente, mostraram policiais batendo nos manifestantes com paus, puxando pelos cabelos e, em um caso, jogando o que parecia ser um cadáver em pilhas de lixo.

Moradores reagiram com raiva quando a polícia lançou gás lacrimogêneo em uma multidão reunida embaixo de um prédio em chamas a 200 metros da praça Tahrir, dificultando o resgate de moradores presos.

A praça Tahrir foi o ponto de encontro para os manifestantes no Cairo quando um levante de 18 dias derrubou Mubarak e, depois, tornou-se o palco para protestos regulares contra o Exército.

"Estamos todos insistindo em ter a eleição a tempo - o governo, os partidos e o Conselho Supremo das Forças Armadas", disse à Reuters o porta-voz do gabinete de Mohamed Hegazy.

Um dos alvos dos protestos é o marechal de campo Mohamed Hussein Tantawi, ministro da Defesa de Mubarak por duas décadas e líder do conselho militar que governa atualmente o Egito. Os manifestantes querem que ele deixe o governo provisório.


Fonte/Autor: AFP


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