China quer apresentar novo modelo de economia verde na Rio+20

17/06/2012 09:34

 

Fonte:Terra

Autora:FERNANDA MORENA Direto de Pequim    

Maior poluidor do mundo, o país asiático quer agora é mudar seu modelo de crescimento, orientado até então pelas indústrias baratas e poluidoras, para produção de tecnologia de ponta que ajude no combate às emissões de gases causadores do efeito estufa. Desde 2006, a questão ambiental se tornou central para Pequim, que quer fazer da China de Xi Jinping, o possível próximo presidente, uma nova alternativa de crescimento ao modelo americano.

"É complicada a situação da China, quando você vê centenas de novos ricos dirigindo carros importados, enquanto tomam água contaminada", aponta Lo Sze Ping, diretor-geral daGreenovation Hub. A organização não-governamental é uma das organizadoras do China Going Green, um grupo de empresas de ONGs que participarão do Rio+20 para falar das inciativas não-governamentais na China para a proteção do meio ambiente.

Especialistas estimam que o boom econômico chinês custe anualmente ao país entre 3,5% e 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e 400 mil vidas. Estudo realizado pelo Banco Mundial em 2007 em 341 cidades, intitulado "Custos da Poluição na China" revela que o avanço tecnológico atingido pelo país foi relativamente positivo para o meio ambiente. A China é hoje três vezes mais eficaz no uso de energia em comparação ao início do processo de reforma. Os níveis de poluição, entretanto, seguem uma crescente: o consumo de energia subiu 70% entre 2000 e 2005, e o uso de carvão subiu 75% no período.

 

Para Ping, o sistema corrente de desenvolvimento chinês não é mais sustentável, e "é preciso que as pessoas, bem como as empresas consigam se engajar em ações ambientais, sem ficar esperando por leis e pelo governo".

"É preciso agora que as ONGs formem uma coalisão; ninguém mais pode bancar as iniciativas pessoais, com o avançado estado da situação."

Na coalisão China Going Green (CGG), exemplos de desenvolvimento dos negócios aliado à proteção ambiental ganham destaque. "A China tem o poder de tomar um papel mais central no desenvolvimento de tecnologia ambiental, pois já está produzindo para muitos países e para si própria", avalia Sze Ping.

Dentro das discussões da conferência, a CGG irá apresentar o caso de 14 empresas privadas, três ONGs e uma fundação para o meio ambiente. Os participantes esperam poder contar sobre as investidas em crescimento limpo pela China para além do governo central.

Um dos exemplos é a indústria de paineis solares. Cerca de 60% da produção mundial ocorre no país asiático, que agora sofre com as tarifas entre 30% e 250% impostas pelos EUA sobre seus produtos. "Mas imagine se a China conseguisse produzir paineis solares como um dia produziu DVD players, imagine o impacto que isso teria no mundo", questiona Sze Ping.

Além do controverso exemplo dos paineis, empresas chinesas estão conseguindo alcançar sucesso comercial com produtos e soluções mais ecológicas, como sistemas de tratamento de água desenvolvidos pela companhia; fabricação de aparelhos ar-condicionado movidos a gás natural ou calor industrial; construtoras investindo em cidades verdes.

Outro exemplo é a chamada "tecnologia do bambu", uma alternativa à madeira para a construção civil. Durante a visita da presidente Dilma Rousseff à China em abril do ano passado, um memorando de entendimento foi assinado para haver a transferência dessa tecnologia ao Brasil.

 

Sze Ping conta que muitas das alternativas que serão apresentadas pelo grupo durante a conferência no Rio de Janeiro não foram criadas com objetivos ambientais, e sim comerciais. "Mas independentemente da motivação, é verdade que as empresas podem fazer dinheiro apostando em materiais e soluções mais limpas", afirma Sze Ping.

"Muitas companhias chinesas estão renovando seu modelo de negócios, ainda que seja para escapar da dura realidade econômica. Mas elas estão criando soluções", diz Sze Ping.

Sobre a Rio+20 
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Composta por três momentos, a Rio+20 vai até o dia 15 com foco principal na discussão entre representantes governamentais sobre os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. A partir do dia 16 e até 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. Já de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

 


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