Cinquenta e uma cidades terão só mulheres

27/08/2012 09:10

 

Em oito municípios, o único candidato a prefeito é uma mulher

 

Divulgação

 

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2008, 32 cidades não tinham homens entre os concorrentes ao cargo.

Fonte:G1 
 

Cinquenta e uma cidades brasileiras terão nas eleições municipais de 2012 somente mulheres como candidatas na disputa pela prefeitura. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2008, 32 cidades não tinham homens entre os concorrentes ao cargo. 

Os municípios onde a população vai eleger obrigatoriamente uma prefeita estão localizados em 17 estados.

Em oito cidades, o único candidato é uma mulher: Minador do Negrão (AL), Serra da Saudade (MG), Sericita (MG), São Domingos de Pombal (PB), Presidente Castelo Branco (PR), Porto Vera Cruz (RS), Quinze de Novembro (RS) e Mirassolândia (SP). 

Dos 5.563 prefeitos eleitos no último pleito municipal, em 2008, 534 eram mulheres, o equivalente a 9,5% do total, superior ao registrado nas eleições anteriores. 

Segundo o TSE, o percentual de prefeitas foi de 7,32% em 2004 e de 5,32% em 2000. 

Sem homens na disputa 
Em Mimoso de Goiás, a 243 km de Goiânia, duas mulheres tentam obter a maioria dos votos em uma população de 2.685 habitantes. No local, a maioria dos moradores - e eleitores - é composta de homens, mas a atual prefeita é mulher. 

Localizado no Entorno do Distrito Federal, o município também apresenta uma característica semelhante à de mais de 300 cidades do Brasil: tem mais eleitores do que habitantes. 

As duas candidatas são Miriã de Souza Vidal (PSD), de 39 anos, que tenta a reeleição, e a advogada Rosana Balestra (PP), de 49 anos. E seriam três mulheres, se uma das concorrentes não tivesse desistido. 

Miriã, mãe de três filhos e formada em letras, foi lançada candidata a prefeita em 2008, para ocupar o lugar do marido. O então prefeito teve balanço rejeitado pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO). 

“Sou eu quem administra a cidade, sim, ao contrário do que muitos dizem por aí. E eu conto com a ajuda do próprio povo, que sempre cobra uma boa gestão e me ajuda a fazer sempre melhor”, afirma. 

A adversária Rosana Balestra, casada e mãe de dois filhos, há mais de 20 anos é advogada pós-graduada na área do direito administrativo. 

Ela conta que resolveu tentar a carreira pública por ter sentido a necessidade de mudança na cidade. 

“O município está na UTI, com problemas em vários setores. Mas minha prioridade é a educação, porque acredito que é a partir dela que resolvemos todos os demais problemas”, diz. 

Em 2008, quando disputou a eleição na cidade pela primeira vez, todos os concorrentes de Miriã eram homens. Candidata à reeleição, ela se diz orgulhosa de ter sido não apenas a primeira mulher a assumir a prefeitura como também a primeira candidata a concorrer ao cargo. 

Na época, o jingle utilizado na campanha explorou o fato de ela ser mulher. Em um trecho, a música dizia: “Quem vai mandar no mundo eu sei quem é. Quem vai mandar no mundo é a mulher”. Agora, com uma oponente também mulher, “a frase perdeu o sentido”, brinca Miriã. 

A advogada Rosana Balestra acredita que a mulher tem uma conduta mais flexível na hora de administrar. 

“O homem costuma ser mais impulsivo na tomada de decisões, e, assim, erra mais. Já a mulher tem mais equilíbrio, pensa mais antes de agir, tem mais medo de errar. Isso é salutar para o poder público. A impulsividade pode fazer com que o gestor homem erre mais”, afirma a candidata. 

Santina Gonçalves (PTB), a outra mulher que concorreria na eleição municipal de Mimoso de Goiás, deixou a disputa. O G1 foi até a casa dela, em Padre Bernardo, mas a equipe de reportagem foi informada de que ela estava viajando. Procurada três vezes por telefone, disse que não poderia falar no momento sobre a renúncia à candidatura. 

Única vereadora 
A comerciante Edileuza D’Abadia, que se prepara para encerrar seu primeiro mandato como vereadora, pelo PSD, afirma que não gostou da experiência legislativa. “Eu era muito mais útil à comunidade quando me dedicava apenas à área social”, afirma. 

Com 41 anos de idade, é a única mulher na Câmara Municipal de Mimoso de Goiás e trabalha ao lado de oito vereadores. “O papel do vereador é representar o povo, fiscalizar. A gente lá não consegue fazer isso com transparência”, diz. 

Ainda assim, ela incentiva as mulheres a investir na vida pública. “Eu cresci e amadureci muito. As mulheres são mais honestas em todos os setores da vida e, por isso, precisam participar mais da política”. Para a vereadora, é motivo de orgulho ter duas candidatas disputando a prefeitura. “Isso me deixa deslumbrada”, resume. 


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