Comissão vai ouvir PM que fez denúncias contra ministro do Esporte

25/10/2011 10:10

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle ouvirá nesta quarta-feira (26) o policial militar João Dias Ferreira sobre as denúncias feitas por ele de fraudes no Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. O convite ao policial foi proposto pelo deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA).

Também deverá ser ouvido o motorista Célio Soares Pereira, que também fez acusações contra o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Magalhães Neto: policial poderá apresentar provas contra o ministro. É importante que João Dias e Célio possam trazer, na riqueza de detalhes que já apresentaram à imprensa e na reunião com as oposições, todas as denúncias que pesam contra o Ministério do Esporte, disse Magalhães Neto.

As denúncias contra o ministro foram publicadas na revista Veja. Na reportagem, o policial João Dias ex-militante do PCdoB, partido ao qual o ministro é filiado acusa Orlando Silva de estar envolvido em um esquema de irregularidades que, em oito anos, teria desviado mais de R$ 40 milhões do programa Segundo Tempo. Ele também relata que o ministro teria recebido um pacote de dinheiro desviado do programa.

Falta de provas

Em audiência na Câmara, na terça-feira passada, o ministro do Esporte disse que não cometeu irregularidades na execução do programa Segundo Tempo e argumentou que, até agora, o policial não apresentou provas.

Magalhães Neto, no entanto, disse que o policial fez um depoimento consistente e rico em detalhes em reunião fechada com parlamentares da oposição. João Dias afirmou categoricamente que tem provas e que, no momento certo, está disposto a mostrar essas provas.

O deputado disse esperar que o policial entregue provas, como gravações e documentos, durante a audiência da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Quem ouve o João Dias percebe que havia uma quadrilha operando no Ministério do Esporte. Para confirmar ou não a existência disso, é fundamental que João Dias possa vir à Câmara e apresente as provas daquilo que está denunciando.

A partir do que for dito e das evidências apresentadas, vamos querer que todos envolvidos sejam punidos, caso fique comprovada a sua participação em atos de corrupção. Não interessa se é governador, se é ministro, disse Magalhães Neto.

Investigações

Magalhães Neto disse que confia no trabalho da Polícia Federal, que vai apurar as denúncias contra o ministro. Ele lembrou ainda que, em fevereiro deste ano, apresentou requerimento que gerou a abertura de investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre irregularidades envolvendo o programa Segundo Tempo.

Reinaldo Ferrigno Orlando Silva disse que não cometeu irregularidades. Na audiência na Câmara, o ministro do Esporte disse que colocou seus sigilos à disposição e que pediu a abertura de inquérito na Polícia Federal e de investigação no Ministério Público para apurar as denúncias.

Orlando Silva chamou João Dias Ferreira de desqualificado, criminoso e bandido. Quem tem provas contra ele sou eu, os autos dos processos que fizemos para recuperar os recursos públicos, disse o ministro, que apresentou papeis do processo judicial contra João Dias Ferreira por suposto desvio de verba pública e enriquecimento ilícito.

O policial militar comanda duas ONGs que receberam recursos em convênios com o Ministério do Esporte e responde a processo judicial que tramita em segredo de Justiça, no qual o Ministério Público pede a condenação dele e a devolução de R$ 3,17 milhões aos cofres públicos. Em 2010, ele chegou a ser preso pela Polícia Civil de Brasília.

Para Magalhães Neto, porém, o discurso do ministro é de alguém que está na defensiva, que quer se esquivar das graves denúncias que foram apresentadas contra o seu ministério. O deputado disse que a situação do ministro do Esporte torna-se, a cada dia, mais insustentável.

A audiência será realizada às 14h30. O local ainda não foi definido.

Fonte: Agência Câmara


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