Estado participa de audiência pública na AL/MT sobre o endividamento rural

13/08/2011 08:06

 

O secretário-chefe da Casa Civil, José Lacerda, participou nesta quinta-feira (11.08), de uma audiência pública para debater a situação das dívidas públicas do setor rural em Mato Grosso. Essa foi a primeira audiência realizada no País sobre o endividamento rural e contou com a participação de deputados estaduais e federais, e também de representantes da Subcomissão do Endividamento Agrícola da Câmara dos Deputados. O encontro ocorreu no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado. 

Na ocasião, Lacerda representou o governador Silval Barbosa que estava em Brasília (DF). Silval se reuniu nesta quinta-feira com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e fez uma série de solicitações à ministra, entre elas, falou da preocupação do Governo do Estado em buscar uma resolução para as dívidas adquiridas pelos produtores rurais de Mato Grosso. Inclusive sugeriu à ministra que encaminhe a demanda à presidenta Dilma Rousseff . 

Segundo José Lacerda, é fundamental que o governo brasileiro tome uma posição. “O Governo do Estado tem trabalhado para solucionar o endividamento agrícola dos produtores rurais de Mato Grosso”, declarou o secretário, enfatizando que o governo é solidário com essa questão e que o produtor rural tem o total apoio do Estado. 

Estudo realizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) indica que o endividamento rural pode causar a internacionalização das terras produtivas do Estado. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, observou que existe o risco do agronegócio mato-grossense se tornar um monopólio nas mãos de empresas multinacionais. 

“Cerca de 20% das terras no Estado estão nas mãos dos grupos estrangeiros. Este assunto nos incomoda, pois infelizmente o Governo Federal não teve a capacidade de resolver isso ao longo dos anos”, declarou Prado, pontuando que as dívidas dos produtores rurais é de em torno de R$ 8 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 1 bilhão foi para aquisição de maquinário. Rui Prado disse ainda que aproximadamente 20% dos produtores rurais estão sem capital para quitar dívidas bancárias, contraídas em 2004 e alongadas até este ano. 

O coordenador da comissão de endividamento da Aprosoja, Carlos Fávaro, destacou que diante dessa situação o agronegócio do Estado fica nas mãos de uma meia dúzia de empresas, que passam a ditar as regras e impor preços. “Com essas dívidas, o produtor rural deixa de plantar e decide arrendar as suas terras. Nesse momento, as empresas multinacionais entram em ação, que se aproveitam da dificuldade econômica do produtor e passam a alugar a área”, relatou Fávaro. 

Para o deputado federal Neri Geller, o endividamento rural é um dos maiores entraves do desenvolvimento do Estado. “Muitos estão saindo da atividade por causa do endividamento rural. Precisamos propor soluções aos problemas e não permitir que se criem outros”, disse.

O presidente da Subcomissão do Endividamento Agrícola, deputado Marcon, frisou que a subcomissão deve realizar em média 18 audiências públicas, nos principais estados produtores de grãos, para debater o endividamento agrícola. “A próxima discussão acontecerá no dia 1º de setembro, no Rio Grande do Sul. No final desses encontros, um relatório será produzido e encaminhado à presidenta Dilma Rousseff”, comentou. 

Também participaram da audiência, o relator da Subcomissão do Endividamento Agrícola na Câmara dos Deputados, deputado Nelson Padovani; o secretário de Estado de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, José Domingos Fraga; deputados estaduais e federais; produtores rurais; população em geral e demais autoridades.


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