Faltam trabalhadores qualificados aqui, sobram ali

05/03/2012 10:14

 

 

Um dos fatores que indicam situação de pleno emprego é a oferta maior de vagas do que de mão de obra disponível. O boom de vagas em setores como a construção e a indústria naval levantou a discussão de que o Brasil não teria força de trabalho suficiente para suprir as necessidades de um País em crescimento.

 

No entanto, pesquisadores lembram que a falta de um levantamento nacional e contínuo dificulta um acompanhamento mais preciso sobre o emprego.Há dificuldade, por exemplo, para detectar as áreas em que há mais oferta de mão de obra do que demanda. Ao contrário do que é percebido na construção civil, alguns setores têm mais profissionais qualificados do que oferta de vagas, como a área de ciências humanas.

"Isso se traduz em baixos salários, mesmo para profissionais qualificados", alerta Sérgio Mendonça, economista do Dieese.

Doutor em Ciências Políticas, Juliano Borges está desempregado pela segunda vez desde que deixou a faculdade. "No meu caso, ter doutorado até atrapalha, porque as condições de trabalho e os salários não ficam à altura da minha qualificação", disse. "Até mesmo o empregador prefere não me contratar, porque acha que posso encontrar coisa melhor, e ele teria o trabalho de fazer outra seleção para preencher a vaga de novo."

O professor da PUC-Rio José Márcio Camargo lembra que, apesar de o mercado de trabalho viver um momento positivo, houve retração nas vagas também em áreas mais técnicas, como a indústria. "Um torneiro mecânico hoje é menos demandado do que um engenheiro na construção civil", notou Camargo.

Embora considere que a taxa média de desocupação de 6% possa ser considerada pleno emprego, ele reconhece que há setores que devem continuar a sofrer mais.

"O que vai acontecer é que o desemprego dos trabalhadores industriais provavelmente vai aumentar, e esses trabalhadores podem ter um pouco mais de dificuldade de recolocação do que os do setor de serviços", disse. "Não há pleno emprego na indústria, mas há pleno emprego na economia como um todo." / D.A.
 


Fonte: O Estado de S.Paulo


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