Gustavo, do 'BBB6', trabalha em tribo indígena no Xingu

25/03/2012 10:24

 

Ex-monge compara a vida na selva ao isolamento do mosteiro e do 'BBB'

 

Arquivo Pessoal

 

 

Ex-monge compara a vida na selva ao isolamento do mosteiro e do 'BBB'

Fonte:Mídia News

Gustavo, do “BBB6”, nunca teve uma vida ortodoxa. Filho de um casal de hippies,

foi viver, aos 18 anos, no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, numa tentativa de “encontrar Deus e se conhecer melhor”. Abandonou a reclusão seis anos mais tarde, pouco antes de se tornar oficialmente monge, porque sentiu necessidade de “viver a vida”. Depois de uma temporada de dois anos fora do Brasil, foi parar no “BBB”, e agora, seis anos depois do programa, ganha a vida em uma tribo indígena em São Felix do Xingu (PA). 

“Morava em Londres quando vi uma noviça de lá entrar no 'BB' inglês e pensei: ‘por que não?’”, diz ele, em mais uma entrevista para a série sobre os dez anos de “BBB”. “Ao sair do mosteiro, tinha a sensação de que faltava alguma coisa. Estudei muito, mas nunca fui pelo caminho ortodoxo."

Professor de inglês e filosofia 

Ao sair do programa, o ex-monge retomou rapidamente sua vidinha pacata e passou a dar aulas de Inglês e filosofia em uma escola particular. “Não saí com a imagem manchada, então foi fácil retomar minha vida. Nunca notei nenhum preconceito por ser ex-BBB. Quando você entra pela primeira vez na sala de aula com crianças é aquele auê, mas logo se acostumam. Sou um professor muito exigente e imponho disciplina”, diz. 

Não demorou muito para Gustavo voltar a buscar o isolamento. Quando soube que procuravam alguém com o seu perfil para trabalhar com uma tribo indígena em São Felix do Xingu, no Sudeste do Pará, não pensou duas vezes para aceitar o posto. “É um Brasil que você acha que não existe mais, uma região remota. Moro em um alojamento e faço a ponte entre os índios e os brancos”, explica ele, que vive há dois anos na região . 

Para o ex-BBB, ter um trabalho em que se faz a diferença na vida de um grupo de pessoas é seu grande luxo. “Na cidade, você é só mais um, que pode ser substituído a qualquer momento. Aquí, sou essencial, valorizado. Quando saio de férias, os índios implorarm que eu volte. Eles só têm a mim”, diz, completando que este trabalho lhe ensinou a viver com cada vez menos: 

“Você precisa desapegar e estar com a cabeça tranquila para viver no mato. Mas com os índios tenho aprendido que preciso de muito pouco para ser feliz. A felicidade está na simplicidade. O que você não tem é porque não precisa. Estou muito mais feliz e menos angustiado.” 

'Vivo na solidão desde sempre' 

Solteiro “desde sempre”, como gosta de frisar, Gustavo já se acostumou com a solidão. “Sempre vivi assim. Namorei muito pouco. Isso nunca foi simples para mim”, conta. O affair com a colega de confinamento Inês também resitiu pouco tempo fora da casa. “Não deu certo”, simplifica, sem querer entrar em detalhes. 

Os rumores de que seria virgem foram, segundo ele, um mal-entendido. “O que disse foi que gostava de acreditar na instituição do casamento, e interpretaram dessa forma. Não era virgem, mas havia namorado muito pouco." 

Seis anos depois de participar do programa, Gustavo desistiu de se queixar da sua temporada no “BBB”. “Já me arrepedi mais, mas hoje é quase indiferente. Descobri que ser famoso não é ser rico. E semifamoso pobre é a pior coisa que existe. Você não pode andar de ônibus por causa do assédio, mas também não tem dinheiro para andar de táxi”, diz. 

Acostumado ao isolamento, Gustavo não descarta a possibilidade de voltar a morar em monastério: “É uma opção muito atraente para mim. É o eterno retorno de Nietzsche." 

 
 

 


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