Ibama “fecha” pousada em área indígena

25/09/2012 15:39

Proprietário diz que tem acordo com os índios e paga R$ 4 mil mensais para etnia e ainda tem alvará emitido pela prefeitura


Site do estabelecimento está no nome de Joel Luiz Datena, filho do apresentador de TV José Luiz Datena

Escrito:RODRIGO VARGAS  Fonte:Diário de Cuiabá

Fiscais do Ibama desativaram uma pousada que operava irregularmente dentro dos limites da Terra Indígena Kayabi, na divisa entre Mato Grosso e Pará.

A operação apreendeu barcos, motores de popa, geradores e freezers, além de motosserras, trator, caminhão e uma pá carregadeira que estavam sendo usados na abertura de uma clareira na mata.

Oito turistas de Minas Gerais, que estavam no local no momento do flagrante, receberam multa de R$ 5 mil cada e tiveram equipamentos de pesca apreendidos.

A Pousada do Rio Cururu, alvo da ação, funciona há quase um ano e conta com pista de pouso, balsa, veículos off road e barcos a motor. Segundo o Ibama, os pacotes de pesca eram vendidos por até R$ 7 mil.

“Uma atividade deste tipo é potencialmente poluidora e deveria ter licenciamento ambiental, mas estando em Terra Indígena é ilegal”, disse o analista ambiental Renê Oliveira, chefe da fiscalização da Superintendência regional do Ibama.

A Terra Indígena Kayabi, demarcada inicialmente com 117 mil hectares, foi em 2002 ampliada para mais de 1 milhão de hectares por meio de uma portaria do Ministério da Justiça.

Autuado, um dos proprietários do empreendimento, Marcos Moser, disse que abriu o local com a anuência dos caiabis e que, pelo acordo, paga R$ 4 mil mensais a uma entidade ligada à etnia.

“Tenho alvará, fornecido pela prefeitura de Jacareacanga [Pará] e um acordo assinado com os índios. Não existe nada de irregular por ali. É tudo invenção do Ibama”, reclamou, por telefone ao Diário.

A pousada possui página na internet. O endereço www.pousadariocururu.com.br está registrado em nome de Joel Luiz Datena, filho do apresentador de TV José Luiz Datena.

Questionado, Moser negou que Datena seja seu sócio e disse que seu nome consta no registro do site em razão de “um erro”. “Temos apenas uma parceria de divulgação”, afirma.

SOBERANIA - O flagrante foi realizado dentro da Operação Soberania Nacional, que mantém três equipes de fiscalização na região do chamado “Arco do Desflorestamento”, entre os municípios de Paranaíta (MT), Apiacás (MT) e Jacareacanga (PA).

Dezessete homens, com o auxílio de cinco carros e um helicóptero, participaram da ação – realizada na quinta-feira (20), mas divulgada apenas ontem pelo Ibama.

O trabalho se valeu de informações do sistema de monitoramento por satélite Deter (que indica possíveis desmatamentos em tempo real), do Inpe, que revelaram a abertura de uma clareira recente, nas proximidades do rio Cururu.

No local, trabalhavam 12 funcionários e um gerente. A pista de pouso opera com uma autorização provisória da ANAC que, segundo o Ibama, faz referência a coordenadas que não correspondem ao local.

“O alvará de funcionamento apresentado também está com endereço diverso”, afirmou o Ibama, em nota.

Moser negou irregularidades nos documentos. “Se há diferença nos documentos, será por erro da prefeitura e da Anac”.


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