Índios Kayabi mantém sete reféns contra construção de usina no Teles Pires

19/10/2011 09:44

Fonte:Nativa News e Redação 24 Horas News
 


Arquivo
 

Índios kayabi, que habitam a região Norte de Mato Grosso na divisa com o Pará, iniciaram um protesto contra a construção de um complexo de usinas hidrelétricas no Rio Teles Pires. Eles  matem refém dois funcionários da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e cinco técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai). A informação foi confirmada  pela própria Funai. o sequestro dos servidores chegou ao órgão federal, em Brasília, na manhã desta terça-feira, 18.

 

Segundo a assessoria da Funai, os sete reféns estão bem e não foram vítimas de agressão. Eles apenas não podem deixar o local. A fundação informou que  já recebeu as reivindicações e expediu comunicado aos índios explicando os passos da demarcação física.

Os índios  são contrários à construção da Usina Hidrelétrica de São Manuel, que ainda não recebeu licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O Ibama havia publicado o aceite do EIA/RIMA da Usina Hidrelétrica São Manoel, mais uma hidrelétrica também no rio Teles Pires. Os estudos ambientais do projeto da UHE São Manoel  estão sendo analisados no Ibama, mas num processo independente da UHE Teles Pires.

O outro projeto, UHE Foz do Apiacás, que será licenciado pelo Estado de Mato Grosso e não pelo Ibama, está planejado para ser construído na foz do rio Apiacás no Teles Pires bem ao lado da UHE São Manoel e exatamente na divisa da Terra Indígena Kayabi e Munduruku.

Em julho, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentaram uma complementação ao Estudo de Consultoria Independente, o chamado ECI, da Usina  São Manoel, pedida pela Funai. No início deste ano a Funai havia emitido um parecer questionando a avaliação dos impactos dos dois empreendimentos sobre as comunidades indígenas, no ECI de agosto de 2010.

O ECI das UHE São Manoel e Foz do Apiacás tem como foco principal os impactos sobre as comunidades indígenas que estão nas áreas de influência dos projetos, em particular nas Terras Indígenas (TI) Kayabi e Munduruku. Três etnias diferentes vivem nessas terras: Apiaká, Kayabi e Munduruku.

 


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