Índios mantem reféns e cacique diz que caça estão prejudicada

22/10/2011 08:00

Fonte:24HorasNews


Nativa news
 

 Desde a última terça-feira, 19, índios de três etnias se uniram e fizeram sete reféns, quatro representantes da Funai, dois de Brasília e dois coordenadores técnicos, dois representantes da EPE e o antropólogo responsável pelo estudo, em protesto contra a construção da barragem, “A gente fez uma reunião muitos anos atrás e por isso hoje nós estamos se unindo com todas as etnias, principalmente essas três, Munduruku, Kayabi e Apiaká, que já moram há muito tempo aqui nessa região, é uma união das forças pra enfrentar qualquer coisa”, destacou José Emiliano, líder do povo Munduruku.

 

 
 “Representa ameaça porque tá próximo da nossa terra e a gente já ta vendo um grande impacto. Nossos parentes Munduruku e Apiaká, principalmente os Kayabi, tomo aqui muito revoltado por causa que ta muito próximo da nossa terra e nós não queremos a usina perto da nossa terra pra prejudicar essa natureza”, frisou João Kayabi, cacique da tribo, afirmando que algumas atividades de caça já estão sendo prejudicadas. “A nossa preocupação é que o impacto vai ter conseqüência muito grande pra nós se essa barragem for construída, porque nós estamos preocupados com os nossos filhos, bisnetos, que o rio vai encher e pra onde que nós vamos”, destaca Rosenida Munduruku, representante da classe feminina na aldeia.
 
A reivindicação das etnias é a demarcação física das terras, e para tal, solicitam a presença de autoridades, “O principal pra nóis é a demarcação de terra pra preservar, por isso que nóis ta brigando contra a barragem. A gente pede pra eles que eles viessem aqui pra trocar idéia com a gente e ver também a situação da gente que tá se passando aqui, a dificuldade das coisas, que a gente pede pra eles e nunca atende a gente”, destaca José Emiliano. “Os guerreiros e os caciques falam que se o presidente da Funai não comparecer aqui e nenhuma dessas autoridades, que ta sendo convidada pra vir aqui, os refém vai continuar na aldeia até que chega algum das autoridades aqui”, frisou Taravy Kayabi. “É isso a nossa reivindicação, nós estamos pedindo pro Ministerio Publico e Federal de Santarém e de Cuiabá e essas pessoas ai que pode resolver nosso problema, enquanto isso nós temos pessoas de refém aqui e nós não vamos liberar. A prioridade nossa é a demarcação da nossa terra e nós não aceita estudo da hidrelétrica ai”, falou João Kayabi.
 
Nesta quinta-feira (20) uma das três audiências públicas que estavam prevista foi cancelada. Fato que não agradou, “Por enquanto ta calmo, mas até ontem a presidência da Funai enviou um documento pra nóis, que não vai comparecer aqui”, frisou Taravy. As três audiências públicas tinham o objetivo de discutir o Estudo de Impacto Ambiental - EIA e Relatório de Impacto Ambiental - RIMA do Aproveitamento Hidrelétrico São Manoel, com capacidade instalada de 700 MW. A barragem da usina ficará a aproximadamente 1.200 metros acima da foz do Rio dos Apiacás. O barramento formará um reservatório com área total de 63,96 km², que atingirá área dos municípios de Paranaíta, em Mato Grosso, e Jacareacanga, no Pará.
 
Os reféns são ameaçados caso as autoridades não compareçam, “Nós estamos defendendo o que é nosso, então nós pegamos esse pessoal ai, os pariuáta, nós só vamos soltar eles quando o ministro vir aqui, as autoridade, enquanto isso ainda ninguém fez nada, mas a partir de hoje se eles não der nenhuma posição positiva, a gente vai fazer uma gaiola e fazer um fogo junto com os guerreiros e as guerreiras, nós vamos queimar eles. A nossa posição é essa, se eles não der nenhuma posição, não ficar acreditando em nóis índios, porque nóis somos valentes sim, porque antigamente os Munduruku era cortador de cabeça, e é isso que nóis vamos fazer agora, eu acho que eles não tão acreditando”, afirmou Rosenida Munduruku.
 
Uma das principais preocupação é o impacto ambiental e os descentes indígenas, “Esses 15 mil índios não aceita a construção de barragem nessa região, porque a barragem se construir faz a destruição muito grande, que a gente nunca imagina e também prejudica a nossa cultura, os nossos alimentos, caça, pesca e florestal , e nossos filhos, bisnetos, não vai saber”, destaca José Emiliano a preocupação com a descendência. Ainda dizem que nenhuma posição de segurança para os mesmos é repassada pelo Governo, “O governo não fala, olha vocês vão pra tal lugar, vai ser melhor pra vocês, ele nunca disse”, finalizou Rosenida Munduruku. 

 


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