Médicos ameaçam greve geral por falta de condições

13/10/2012 08:38

 

Moradores de quatro municípios realizam protestos

 

Escrito:Por Laura Nabuco, do Diário de Cuiabá
 

A crise enfrentada por prefeituras e consórcios municipais no setor da Saúde devido ao atraso nos repasses do governo do Estado pode se intensificar a partir da próxima semana. Na quarta-feira (17), o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) reúne a categoria em assembleia e não descarta a possibilidade de uma greve geral. 

“A luta é a mesma em todo o Estado. As reclamações de atrasos salariais e de falta de condições de trabalho vêm de todo lugar e a explicação é sempre a mesma: atrasou o repasse”, explica a presidente do Sindimed, Elza Queiroz. 

Em Rondonópolis, médicos do setor de ortopedia do Hospital Regional entregaram uma carta de demissão em massa devido à ausência do cumprimento de um acordo salarial, conforme a presidente. O mesmo motivo culminou na paralisação dos médicos do Hospital Regional de Água Boa, que tem R$ 1 milhão a receber do Estado e não consegue honrar os subsídios dos profissionais. 

Em Barra do Bugres, cerca de duas mil pessoas que trancaram por quase 12 horas a rodovia estadual, que liga a cidade à Capital. O protesto era pelo atraso de verbas que deveriam ter sido pagas ainda em 2011. Apesar de municipal, o hospital da cidade atende pacientes de outros quatro municípios do entorno. 

Com a manifestação, Barra do Bugres conseguiu receber ontem R$ 746 mil e uma promessa de que outras duas parcelas iguais serão depositadas em novembro e dezembro. A SES não reconheceu, contudo, o valor integral do que devia ao município. Dos R$ 2,9 milhões que a prefeitura cobrava, disse que pagará apenas R$ 2,2 milhões. 

Segundo a enfermeira Eliane Vieira, uma das organizadoras da manifestação, o pagamento não deixou os profissionais tranquilos. Isto porque a prefeitura já tentou negociar a dívida três vezes, mas não teve sucesso. “Se no dia 10 a segunda parcela não estiver na conta, vamos fechar as rodovias de toda região do Araguaia”, diz. 

Nem mesmo as Organizações Sociais de Saúde (OSSs) têm saído ilesas dos atrasos por parte do Estado. Em Sorriso, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano, que administra o Hospital Regional, reduziu a quantidade de cirurgias eletivas porque a Secretaria Estadual de Saúde (SES) se recusou a pagar o excedente dos procedimentos que foram contratados. 

“Há umas duas semanas os médicos cirurgiões participaram de uma reunião em que se pediu para ‘pisar no freio’, reduzindo o número de procedimentos. Pelo menos 40% das cirurgias deixaram de ser feitas”, diz o médico Renato Vilas Boas, que trabalha na unidade. 

Além disso, os salários de março, mês que antecedeu a implantação da OSS, não foram pagos até agora. Vilas Boas afirma que os profissionais já fizeram abaixo-assinado e a SES já marcou ao menos seis datas diferentes para o pagamento. Nenhuma delas foi cumprida. 

Nesta quarta-feira (10) o Ministério Público pediu o bloqueio de R$ 12,3 milhões da conta única do Estado para garantir o pagamento dos repasses a Cuiabá e Várzea Grande. A dívida, no entanto, atinge pelo menos 100 cidades. Uma liminar expedida pelo juiz Luís Aparecido Bertolucci Júnior, prevê que o Estado apresente, até quarta-feira, um cronograma de como quitará os débitos. Os valores devem ser depositados integralmente até o início de dezembro. 

Por meio da assessoria, a SES vem afirmando que os pagamentos serão feitos conforme a dotação orçamentária. Sobre o hospital regional de Sorriso, alegou que o contrato com as OSSs limita os atendimentos, que não podem ser excedidos. A pasta garante, no entanto, que a população não fica desassistida, uma vez que os pacientes podem ser transferidos para outras unidades regionais ou da rede credenciada.


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