Mulher queima mão do filho com colher

31/08/2012 10:55

Mãe alega que agressão é uma forma de educar e que não se arrepende do crime. Este é o segundo caso de violência na família



Acusada foi levada para a delegacia e criança para o abrigo, onde ficará a disposição da Justiça
Escrito:Por ADILSON ROSA E STÉFANIE MEDEIROS  Fonte:Diário de Cuiabá

Duas mães foram acusadas de agredirem seus filhos, ambos de 10 anos. O Conselho Tutelar fez a denúncia e encaminhou o caso para a Polícia Civil, que irá iniciar as investigações. 

Os casos ocorreram no Residencial Jonas Pinheiro, em Cuiabá. Segundo o conselheiro Devair Rodrigues Ribeiro, no primeiro deles, um dos garotos teve a mão esquerda e as pernas queimadas com uma colher quente. O conselheiro registrou queixa na Delegacia do Complexo do Planalto. A mãe declarou que não se arrepende do ocorrido, e que é esse o jeito de educar o filho. 

Segundo ela, o filho estava praticando pequenos furtos e, por isto, achou que tinha que tomar essa “medida extrema”. O conselheiro explicou que o caso ocorreu há oito dias, mas as marcas ainda são visíveis. “Só chegamos até o caso após recebermos denúncia aqui no conselho e fomos averiguar”, frisou. 

Diante da denúncia, o conselheiro informou que a criança está sob os cuidados do Lar da Criança e deve permanecer lá por um prazo de até 60 dias, até decisão judicial. 

Conforme Devair, outro caso que envolve violência contra adolescente foi registrado na família. O primo do garoto foi agredido pelo padrasto. O caso só veio à tona após denúncias de vizinhos, e deverá ser encaminhado para a Delegacia de Defesa da Infância e Juventude da Capital. 

Segundo a psicóloga e professora universitária Ilzy Gonçalves, o adulto, assim como qualquer outra pessoa, só comete a agressão física quando não tem o recurso da palavra. Ele agride a criança por ter perdido parte de sua autoridade. “Quando faltou a palavra, a pessoa parte para a agressão por não ter mais nenhum outro meio ao qual recorrer”, explicou. 

A psicóloga também esclareceu que algumas pessoas não vêem a agressão física para educar uma criança como algo potencialmente prejudicial. De acordo com ela, o adulto tem que ter em mente que a criança é naturalmente curiosa, muitas vezes agitada, e ainda não tem uma noção formada sobre o que é certo e o que é errado. Por isto, é sempre importante manter o diálogo. 

A melhor forma de se educar os filhos é ouvindo e observando, orientando de forma racional e tranquila. “Alguns defendem que pequenos tapas não fazem mal. Mas como controlar a intensidade de uma agressão, mesmo que ‘pequena’ se a pessoa está movida pela raiva?”, questionou Ilzy. 

Não há como saber quais serão conseqüências psicológicas que uma agressão física pode causar na criança. Cada um tem uma resposta diferente a todos os tipos de acontecimento. Algumas crianças não são afetadas com maus tratos, mas outras são afetadas por coisas bem menores. “É por isso que é importante cuidar bem dos filhos, pois não há como saber como eles vão se comportar frente aos acontecimentos”. 

 


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