Para especialistas, falta de manutenção pode ter levado a desabamento de prédio em São Bernardo

08/02/2012 08:07

 

 

 

 

buraco prédio abcMarcio Fernandes/Agência Estado/AE

Prédio desabou no centro de São Bernardo do Campo na noite da segunda-feira (6)

Eles avaliam que infiltração é causa pouco provável pois apresenta sinais visíveis

Autor:Érica Saboya

Fonte:R7

 

O desabamento do prédio comercial no centro de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, na noite da segunda-feira (6), pode ter sido causado por falta de manutenção periódica. Esta é a avaliação de engenheiros civis ouvidos pelo R7 um dia após o acidente que deixou feridos, uma criança morta e uma enfermeira de 26 anos desaparecida. Eles disseram acreditar que uma infiltração em um dos andares– hipótese levantada pela prefeitura da cidade –, isoladamente, não poderia levar à queda da laje e afirmaram que um problema como esse já teria dados sinais visíveis aos inquilinos do local.

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Os especialistas ouvidos pela reportagem não estiveram no local do desabamento, mas fizeram análises de causas prováveis em um caso como esse. Para o coordenador da Câmara de Perícias do Ibape- SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo), Octávio Galvão Neto, o que pode ter acontecido é uma conjunção de fatores.

- É difícil chegar a uma conclusão sem ter acesso aos elementos relacionados, mas acho difícil que uma infiltração, isoladamente, leve ao desabamento. Esse tipo de deterioração vai sendo observada pelas pessoas que habitam o lugar. Não aparece de uma hora para outra. A opinião de Galvão Neto é compartilhada pelo presidente da Abenc (Associação Brasileira de Engenheiros Civis), Ney  Perracini de Azevedo. Ele diz que uma deterioração intensa das ferragens só acontece quando elas estão aparentes.

Um problema como esse teria dados sinais, teriam aparecido rachaduras.

Obra regular

De acordo com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Bernardo do Campo, o prédio tem alvará de construção de 1972 e estava em situação legal. A informação inicial era de que uma explosão teria acontecido em um restaurante que funcionava no piso térreo do prédio, mas a hipótese foi descartada pelo Corpo de Bombeiros assim que eles chegaram ao local. Treze pisos, do total de 14 andares, desabaram. 

Mesmo que a causa do desabamento não tenha sido apontada, os dois engenheiros avaliam que ela teria sido identificada previamente se tivessem sido feitas, periódicamante, vistorias técnicas no prédio. A frequência ideal, para Azevedo, seria uma por ano, com um prazo máximo entre uma vistoria e outra seria de cinco anos.

 

 Em grandes edifícios antigos a manutenção é negligenciada. Eles resolvem problemas aqui e aqui e ali, apenas para “tapar buraco”.

Galvão Neto explica que a manutenção das edificações mais antigas é de responsabilidade dos proprietários, pois foram feitas antes do Código de Defesa do Consumidor, que determinou que as construtoras entregassem manuais para instruir sobre procedimentos de vistoria. Ele diz que somente avaliações de técnicos podem apontar se há riscos no prédio e quais objetos “merecem atenção mais imediata”.

- Infelizmente, isso não é uma prática comum. Basta andar pelos centros das cidades para ver que as edificações têm um nível de deterioração muito grande.

Infiltrações sem sinais 

Já o engenheiro civil especializado em contenção de estruturas José da Silva Moreira não descarta a possibilidade de que uma infiltração ter provocado o desabamento. Para ele, esse tipo de problema “pode dar sinais ou não”. Moreira, entretanto, levanta outra provável causa do incidente.

- Claro que só dá para saber depois de um laudo, mas [o acidente] pode ter sido também por causa de um baixo teor de cimento no concreto que foi usado na construção. É preciso mandar parte do material que caiu para análise.

O engenheiro diz ser “curiosa” a forma como aconteceu o desmoronamento em São Bernardo, pois a estrutura interna desabou e a externa continuou intacta.

- Isso não é comum, geralmente desmorona tudo. Parece que a parte periférica estava boa e a interna não.

A polícia e o Ministério Público abriram inquéritos para acompanhar as investigações. Segundo a assessoria do MP, a promotora de Justiça Rosangela Staurenghi, que trabalha na área de habitação e urbanismo na cidade, já requisitou a instauração.

 

 


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