Peça achada no prédio pode esclarecer explosão no Rio

17/10/2011 09:10

Pedaço de mangueira atada à válvula estava envolvida em fita isolante


Reprodução G1

Material pode ajudar a esclarecer o vazamento, já que a mangueira estava envolvida em fita isolante


 

Fonte:G1

Castro contou ainda que, segundo seus clientes, o restaurante estava regularizado, já que tinha alvará da prefeitura para funcionar, e que o estabelecimento não foi fiscalizado pelo Corpo de Bombeiros porque não fazia parte do condomínio do edifício Riqueza.

Ainda segundo o advogado, o restaurante tinha seis cilindros de gás que ficavam no subsolo, numa área arejada. E que dois dias antes da explosão, a empresa responsável pela recarga e manutenção desse sistema de gás tinha ido ao local. Ele explicou que os cilindros não eram trocados, mas sim recarregados por um caminhão.

O delegado disse que vai enviar ofício à empresa responsável pela manuteção dos cilindros de gás para saber que tipo de serviço foi realizado no restaurante na terça (11), dois dias antes da explosão.

Funcionários da empresa contratada pela prefeitura para fazer a remoção dos escombros do prédio onde funcionava o restaurante Filé Carioca, que explodiu na última quinta-feira (13), na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, encontraram neste sábado (15), no subsolo do edifício, o pedaço de uma mangueira atada a uma válvula que pertenceria a um cilindro de gás. De acordo com o delegado Antônio Bonfim, da 5ª DP (Mem de Sá), o material pode ajudar a esclarecer o vazamento, já que a mangueira estava envolvida em fita isolante.

“Isso pode ser um indício do vazamento de gás. Essa mangueira se encaixa exatamente no pedaço de cilindro que foi encontrado a cerca de 30 metros do restaurante, no dia da explosão, segundo o perito que acompanha a remoção. Como o pedaço da mangueira está envolvido em fita isolante, isso fortalece a tese do vazamento de gás”, disse o delegado.

A assessoria de imprensa da empresa fabricante da mangueira garantiu que o material é utilizado em botijões de 13 quilos, e não em cilindros.

HDs e cilindros
Além deste material, os operários também encontraram quatro discos rígidos (HDs) de computdores nos escombros, no subsolo do prédio. Mas segundo Bonfim, como havia uma lan house nas imediações, o material será encaminhado para análise para saber se algum deles era do restaurante e contém as imagens do circuito interno do estabelecimento.

“Todo o material encontrado no prédio está sendo encaminhado à perícia. Fiz questão de ir ao local para orientar o pessoal a catalogar tudo o que for encontrado no subsolo, com local e posição, para sabermos se o material é do restaurante ou de outra loja do prédio”, acrescentou o delegado.

No início da noite deste sábado, seis cilindros de gás também foram encontrados no subsolo do restaurante, na parte da frente do prédio. Segundo o delegado, um deles está vazando e um perito especializado em explosivos vai avaliar se foi esta a causa da explosão.

"Tem que pesar também os bujões, para saber qual a quantidade de gás que vazou e se essa quantidade era suficiente para uma explosão dessa magnitude", esclareceu o delegado.

O advogado do dono do restaurante informou que nenhum funcionário fazia a troca do gás e que os cilindros foram recarregados pela empresa SHV Gás, dois dias antes da explosão. A polícia vai convocar representantes da empresa para depor.

A assessoria de impresa da empresa informou que a manutenção é de responsabilidade do consumidor.

Proprietário vai depor na segunda-feira
O dono do restaurante Filé Carioca só vai prestar depoimento na próxima segunda-feira (17), na 5ª DP (Men de Sá), conforme informou neste sábado (15) o delegado Bonfim. Segundo ele, surgiram novos elementos que precisam ser explicados, como a existência de gravações de imagens do circuito interno do restaurante e de recarga e manutenção do sistema de gás do recinto.

De acordo com o delegado, as imagens estão no disco rígido do computador, sob os escombros do prédio. Elas poderão ajudar a entender o que aconteceu no restaurante. Ainda segundo Bonfim, o dono do restaurante conseguia ver de casa o que acontecia no estabelecimento, mas não tinha como gravar as imagens de lá.

Costelas quebradas
O advogado do dono do restaurante, Bruno Castro, esteve na delegacia na tarde de sábado e informou que seu cliente ainda está muito abalado, sendo acompanhado por um médico. O irmão do proprietário, que era gerente do restaurante, teve fratura de costelas e também deverá prestar depoimento na próxima segunda.

"Meu cliente ainda está debilitado, mas virá à delegacia na segunda. O gerente, que está com as costelas quebradas, está com dificuldades para se locomover, mas faremos o possível para que ele também venha depor. Ele contou que, ao chegar ao restaurante, encontrou a porta aberta e luzes apagadas, que não havia ninguém lá dentro por causa do cheiro de gás, e que ao se abaixar para pegar um banco para ligar a chave geral do restaurante, tudo explodiu. No momento da explosão, ele estava abaixado atrás do balcão. As imagens ficam gravadas no computador, que fica no restaurante. A empresa do circuito interno não grava essas imagens", disse o advogado.

 


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