Pesquisa revela bombardeio de propaganda para crianças

01/12/2011 08:31

Nas duas semanas antes do Dia das Crianças, 56% dos anúncios pagos em 15 canais de televisão pesquisados foram de brinquedos.

Esse dado, divulgado hoje, é de pesquisa feita pelo Observatório de Mídia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) em parceria com o Instituto Alana, ONG que discute o consumismo entre as crianças.

Essa é primeira etapa da pesquisa, que analisou a mídia televisiva antes do dia 12 de outubro. A ideia do projeto Criança e Consumo é investigar os anúncios em todas as quinzenas anteriores ao Dia das Crianças, Natal, Páscoa e em dias aleatórios do ano até 2014.

Para divulgar o projeto, o Institito Alana fez um protesto, com 15 pessoas, em frente ao centro comercial onde fica a sede da Mattel, na zona sul de São Paulo.

Vestidos com trajes de gala, simulando a entrega de uma premiação, os manifestantes convocavam, por microfone, a direção da Mattel para receber o "prêmio manipuladora do ano": um troféu com a imagem de uma criança em forma de títere.

A Mattel foi a escolhida por ter sido a campeã de anúncios na quinzena pesquisada: segundo os pesquisadores, foram 8.900 anúncios exclusivamente voltados para crianças, sendo 2.600 só da boneca Barbie.

Os canais pesquisados foram SBT (canal com mais anúncios), Bandeirantes, Globo, Record, Rede TV! e TV Cultura, entre os abertos, além de nove canais fechados que são voltados para o público infantil (Discovery Kids, Nick Jr., Disney Jr. Disney Channel, Disney XD, Cartoon, Boomerang, Nickelodeon e TV Rá-Tim-Bum).
 

  Apu Gomes/Folhapress  
Grupo simula entrega de prêmio em forma de protesto contra a manipulação das empresas de brinquedo
Grupo simula entrega de prêmio em forma de protesto contra a manipulação das empresas de brinquedos

A pesquisa também mostrou que a maioria dos produtos infantis vendidos têm os nomes em inglês, o preço médio dos produtos mais anunciados é de R$ 51 a R$ 100, são dirigidos principalmente para meninas (quando não para ambos os sexos), para crianças de 7 a 12 anos (quando é possível definir a idade), 57% dos anúncios usam crianças para vender o produto e 79% usam linguagem infantil.

Ao final do monitoramento, em 2014, a UFES vai concluir outra pesquisa, para tentar confirmar a hipótese de que esses anúncios influenciam as crianças --e como fazem isso.

Segundo o professor Edgard Rebouças, coordenador da pesquisa e do Observatório de Mídia da UFES, esse tipo de levantamento no Brasil é inédito e até agora defensores do fim da publicidade infantil usavam dados de outros países para corroborarem sua tese.

O trabalho será enviado ao Congresso Nacional, que discute a dez anos um projeto de lei para proibir anúncios dirigidos às crianças.

"Espero que os deputados e senadores lembrem-se que são pais e já foram crianças e que estão fazendo uma regulamentação para a sociedade, não para o mercado."

Ele acredita que a pesquisa e o protesto na porta da Mattel possam sensibilizar os pais e o mercado, como já ocorreu, segundo ele, com comerciais que estimulavam a obesidade e o consumo de álcool.

Para Gabriela Vuolo, coordenador de mobilização do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, anúncios dirigidos às crianças estimulam o consumismo, a obesidade, a erotização precoce e trazem estresse familiar.

"A concorrência é desleal: o pai e a mãe trabalham o dia todo fora de casa e a TV fala com a criança o tempo todo. É muito difícil mesmo para os que têm coragem de dizer "não", porque as crianças sofrem um bombardeio."

A íntegra da pesquisa pode ser conferida no site da Alana.

OUTRO LADO

Em nota, a Mattel afirma que respeita a legislação brasileira e que analisa as recomendações feitas pelo Conar. Segundo a empresa, as propagandas fazem parte da estratégia da empresa "para consolidar sua presença no Brasil e reforçar junto aos pais a importância do brincar para o desenvolvimento das crianças".

A Mattel diz ainda que nunca foi procurada para discutir questões relacionadas à publicidade infantil.

O Conar foi procurado mas não se manifestou até o fechamento a publicação deste texto.

 

Fonte: Folha Online


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