Polícia busca cumprir sete mandados de prisão durante ocupação na Rocinha

13/11/2011 04:03

Suspeitos seriam responsáveis pela distribuição e organização da venda de drogas

A ocupação da comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, para a instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), que vai contar com mais de 2.000 policiais e agentes de segurança, também busca cumprir sete mandados de prisão de traficantes que atuam na região.

Após a prisão do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, no fim da noite de quarta-feira (9), a polícia pretende capturar outros sete traficantes que seriam responsáveis pela distribuição e organização da venda de drogas na comunidade. Entre eles, estaria Cristiano de Sá Silva, o Abelha, que seria o responsável por implantar na favela diversos laboratórios de refino da droga.

Outros dois traficantes que estão sendo procurados são: Thiago de Sousa Cherú, conhecido como Dorei, suspeito de ser o responsável pela morte da modelo Luana Rodrigues e de Andressa de Oliveira; e Jean Carlos Nascimento dos Santos, o Fofinho, que seria responsável por controlar as bocas de fumo da facção criminosa na comunidade.

A polícia também busca por Alexandre Bandeira, o Piolho, suspeito de ser o responsável por diversos assassinatos de moradores e Edmilson Torres Martins, conhecido como Capita. Ele teria ajudado na fuga de detentos do presídio de Gericinó, na zona oeste do Rio.

Marcelo Bernardino da Fonseca, que seria um dos homens de confiança do traficante Anderson da Rosa Mendonça, o Coelho, preso semana passada também estaria na lista, com Paulo André de Brito Araújo, o Xuxa da Rocinha, um dos gerentes de ponto de venda de droga mais próximos a Nem.

Cerco nas estradas

A operação para ocupar a Rocinha vai contar ainda com um cerco da Polícia Rodoviária Federal nas principais saídas do Rio e ações de inteligência da Polícia Federal.

O Corpo de Bombeiros também vai montar um hospital de campanha com seis leitos na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha. Três ambulâncias vão ficar em frente à quadra. Ao todo, 15 bombeiros vão ficar de plantão no local.

Rio terá 19ª UPP

Desde quinta-feria, a Polícia do Rio cerca a maior favela da cidade. O objetivo é a implantação da 19ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio.O efetivo e o número de bases operacionais serão definidos após reconhecimento do terreno. O Governo do Estado calcula que cerca 84 mil pessoas devem se beneficar diretamenta da nova UPP.

Durante as ações no entorno da comunidade, a polícia do Rio conseguiu prender, em uma ação tumultuada,  o homem apontado com chefe do tráfico de drogas da Rocinha: Antônio Bonfim Lopes, o Nem.

Prejuízo para o tráfico

Com a ocupação da Rocinha, considerada o principal centro distribuidor de drogas para bairros ricos do Rio, o tráfico deve deixar de ganhar cerca de R$ 100 milhões por ano. Por semana, o faturamento estimado com a venda de drogas na comunidade é de R$ 2 milhões. A quadrilha chefiada por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, lucra principalmente com a venda de cocaína, considerada com maior grau de pureza do Rio.

O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, disse que um ofício já foi enviado ao Tribunal de Justiça solicitando a transferência de Nem para um presídio de segurança máxima fora do Estado do Rio de Janeiro. Beltrame ressaltou que a prisão do traficante não pode ser transformada em um torféu de guerra.

Em depoimento à Polícia Federal, Nem disse destinar metade do seu faturamento ao pagamento de propina a policiais civis e militares da banda podre.

O governador Sérgio Cabral disse esperar agilidade para transferir Nem para um presídio federal de segurança máxima. Nem e outros 11 criminosos foram levados para o Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste. O traficante teve o cabelo raspado  e já usa o uniforme convencional dos presos.

Horas antes da prisão de Nem, quatro policiais - três civis e um militar - e um ex-PM foram presos na Gávea, na zona sul, fazendo a escolta de traficantes que fugiam da Rocinha. Eles teriam recebido R$ 2 milhões para fazer a escolta.

Cabral disse esperar um rigor rigor maior do Poder Judiciário ao se queixar da dificuldade de afastar definitivamente policiais que são expulsos de suas corporações, mas que conseguem voltar às ruas amparados por decisões liminares.

Segurança de Nem preso na Vila Vintém

Na manhã de sexta-feira, dez pessoas foram presas na comunidade de Vila Vintém, em Padre Miguel, na zona oeste, incluindo um homem apontado pela polícia como o chefe de segurança de Nem e outros cinco traficantes que teriam fugido da Rocinha. Na chegada da PM à favela, houve intensa troca de tiros e um suspeito foi morto. Além dos presos, foram apreendidos três fuzis, duas pistolas e quantidade ainda não contabilizada de drogas.

Fonte:R7


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