Polícia conclui retirada de estudantes da reitoria da USP

08/11/2011 08:49

No total, 70 alunos foram detidos por se negarem a deixar ímóvel na zona oeste de SP

Fonte:R7
choque-usp-hgÉrica Saboya/R7

Polícia já adiantou que houve danos ao patrimônio público

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A Tropa de Choque da Polícia Militar já havia retirado todos os estudantes do prédio da reitoria da USP (Universidade de São Paulo), no campus da zona oeste de São Paulo, por volta das 7h20 desta terça-feira (8). No total, 70 alunos foram detidos por se recusaram a sair do imóvel mesmo após a determinação da Justiça. Eles estavam acampados no local desde a quarta-feira (2), em protesto contra a presença da PM na área da universidade.

Todos os detidos - 24 mulheres e 46 homens - foram levados para o 91º Distrito Policial em dois ônibus. Antes, eles passaram por uma revista, na qual, segundo a polícia, não foram encontradas armas nem drogas. De acordo com a coronel Maria Aparecida Carvalho Yamamoto, a polícia já constatou que houve danos ao patrimônio público, mas o prejuízo ainda não foi avaliado. 

Após o esvaziamento do prédio, a perícia deve vistoriar o local e a Tropa de Choque deve sair do campus.

Uma viatura foi apedrejada no início da reintegração de posse. Cerca de 400 homens da polícia participaram da ação.

O oficial de Justiça Valdemir Leme assinou uma certidão de entrega do imóvel para um representante da universidade, Anderson Campos, da assessoria do gabinete do reitor. Agora, o oficial vai certificar as condições do prédio.

Agressão

Durante a madrugada, alguns dos estudantes agrediram os profissionais da imprensa que acompanhavam a invasão do prédio. Uma pedra foi arremessada contra a câmera do cinegrafista Marcos Vinícius, do SBT, e atingiu de raspão a cabeça de Fábio Fernandes, cinegrafista da TV Record. Ainda no empurra-empurra, o cinegrafista Alexandre Borba, também da TV Record, teve a alça da câmera puxada, causando a queda do equipamento.

O fotógrafo Cristiano Novaes, da agência CPN, foi agredido a chutes e teve a máquina tomada pelos invasores, que resolveram devolvê-la posteriormente ao repórter fotográfico. A confusão teve início durante uma discussão entre os jornalistas e os invasores do prédio. 

Assim que a poeira abaixou um pouco, um dos estudantes, que se identificou como Eduardo, disse que repudiava a atitude dos agressores e que aquilo não representava o posicionamento do movimento em relação à imprensa.

Em nota divulgada no início desta madrugada, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que "a presença da PM não garante a segurança na universidade".

No comunicado, o DCE também afirma: "Não é de hoje que temos propostas para um outro plano de segurança dos campi da USP: aumento da circulação de pessoas e integração da universidade com a sociedade (contra a "catracalização"), maior iluminação, aumento dos ônibus circulares, uma Guarda Universitária preventiva, gerenciada pela comunidade, com treinamento voltado para os Direitos Humanos e aumento do seu efetivo, principalmente feminino".

Os estudantes, ainda segundo a nota do DCE, deveriam realizar um ato às 12h desta terça-feira em frente à reitoria, quando seria protocolado um ofício pedindo a revogação imediata do convênio USP/PM e a implantação de medidas de curto e médio prazos de segurança nos campi. No mesmo ofício, seria requisitada a presença do reitor João Grandino Rodas na audiência pública convocada pelo DCE para o dia 16, quando devem ser debatidas as medidas de segurança tomadas pela reitoria e as propostas do movimento estudantil. 

Até as 7h30, após a reintegração, o DCE ainda não havia confirmado se a manifestação marcada para às 12h deveria ocorrer. 

Entenda o caso

 

A ocupação foi feita por um grupo de alunos, por volta da 0h30 de quarta-feira (2), após assembleia que determinou o fim da ocupação do prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas), que era ocupado em protesto contra a prisão de três alunos que foram pegos com maconha no campus.

As principais reivindicações dos manifestantes que invadiram a reitoria são a suspensão do contrato entre a universidade e a SSP (Secretaria de Segurança Pública) - que aumentou o efetivo da Polícia Militar no campus - e a anulação dos processos administrativos que alunos e funcionários sofrem desde outros protestos.


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