Primo do goleiro Bruno é enterrado na manhã desta 5ª em BH

23/08/2012 10:23

 

Escrito:Por NEY RUBENS  Direto de Belo Horizonte  Fonte:Terra

 

Imprensa foi impedida de entrar no cemitério para acompanhar o enterro do jovem. Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Imprensa foi impedida de entrar no cemitério para acompanhar o enterro do jovem
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

 
O corpo de Sérgio Rosa Salles, primo do goleiro Bruno, assassinado quarta-feira em Belo Horizonte, será enterrado às 11h desta quinta-feira no Cemitério da Saudade, região leste da capital mineira. O velório do jovem acontece desde as 21h de ontem.

Sérgio, que também era chamado de Camelo, estava na rua Aracitaba, no bairro Minaslândia, quando foi atingido por pelo menos seis tiros, por volta das 7h30. Ele já esteve preso e respondia inquérito por envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, amante do ex-goleiro do Flamengo.

Dezenas de familiares e amigos estão no cemitério, mas a imprensa não foi autorizada a acompanhar a cerimônia. Ninguém quis dar declarações.

Segundo o pai da vítima informou à polícia, Camelo era pedreiro e foi morto quando estava saindo de casa para ir ao trabalho. De acordo com testemunhas do crime, o primo de Bruno foi abordado por dois homens em uma moto. Percebendo que corria perigo, ele saiu correndo e foi perseguido pelos suspeitos. Durante a fuga, Sérgio invadiu o quintal de uma casa e, acuado pelos criminosos, foi baleado.

O delegado Breno Pardini, responsável pelo caso, defende a hipótese de execução. "A gente agora está com os policiais na região para levantar informações sobre o que ele fez ontem e na semana passada para tentar descobrir a motivação", disse.

Histórico de ameaças
Em depoimento, pouco mais de um mês após o sumiço de Eliza, Camelo disse ao delegado que havia sido ameaçado por Macarrão, apontado como um dos mentores do crime. O amigo de Bruno teria dito a Sérgio que se ele falasse algo, teria o mesmo fim que Eliza Samudio.

Em outubro de 2010, foi a vez do advogado que defendia o primo do goleiro se manifestar, dizendo estar sofrendo ameaças. Marco Antônio Siqueira disse ter recebido ameaças de morte por telefone e anunciou o desligamento do caso. Na mesma ocasião, Siqueira afirmou que seu cliente também havia recebido ameaças e estava chorando muito, mas não soube dizer que era o autor das ligações.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

 

 


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