Sem a construção da contestada Usina de Manso, as chuvas já poderiam ter causado grandes estragos em Cuiabá

30/12/2011 07:38
Manso: contestada por ambientalistas, políticos e promotores, obra trouxe inúmeros benefícios

As chuvas de verão já castigam muitas cidades brasileiras, como Belo Horizonte, em Minas Gerais (MG), São Paulo (SP) e dezenas de outras nos estados do Sul. Já em Cuiabá, graças à Usina Hidrelétrica de Aproveitamento Múltiplo de Manso, a última enchente do ocorreu em 1995, quando o Rio Cuiabá atingiu oito metros e causou estragos nos principais bairros ribeirinhos da cidade. Atualmente, a grande preocupação das autoridades públicas locais é apenas quanto a possíveis transbordamentos de córregos que cortam a cidade.

No Cuiabá, a maior enchente foi registrada em 1974, quando o rio atingiu a cota de 10 metros e desabrigou 20% da população cuiabana. Porém, levantamentos recentes mostram que sem a construção da Usina de Manso as chuvas já poderiam ter causado estragos talvez piores que os registrados nos anos 70. Operada por Furnas Centrais Elétricas, a usina foi inaugurada em 2000.

“No Carnaval de 2010 passou por Cuiabá uma vazão de 2.400 m³ por segundo. Na época, Manso subiu muito e segurou uma vazão de 1.200m³/s. Se não fosse a barragem, a vazão que passaria pela cidade seria de 3.600 m³/s. Na cheia de 1974, foram 3.300 m³/segundo”, informou o professor-mestre Rubem Mauro, do Departamento de Engenheira Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

E olha que uma obra pública nunca causou tanta polêmica como a construção de Manso, que fica na vizinha Chapada dos Guimarães (a 65 quilômetros de Cuiabá). Na época, a construção foi contestada por ambientalistas, políticos e Ministério Público Estadual.

Entre os impactos positivos e negativos, o professor Rubem Mauro avalia o funcionamento da usina como eficiente. “Tem sido eficiente no controle da enchente e seca no Rio Cuiabá. Só que também controla a cheia no Pantanal, que vive da cheia”, contrapôs.

Na seca, lembra o professor, a vazão no rio que antes era de 80 m³/segundo (o que dá para abastecer uma cidade como São Paulo), passou para 170m³/segundo com a construção da barragem. “Isso é bom porque, com mais água, tem o poder de despoluir o esgoto, contribui para a navegação e ajuda no abastecimento de água da cidade ao facilitar a captação”, disse.

Mauro observou ainda que ao segurar a vazão em determinadas épocas do ano, como no período de defeso (entre novembro e fevereiro), a barragem influencia na reprodução dos peixes. Porém, ele destaca que hoje o grande problema que o Estado enfrenta é a falta de chuvas.

CÓRREGOS - O coordenador da Defesa Civil da Capital, Oscar Amélito Alves dos Santos, lembra que atualmente a grande preocupação é quanto aos possíveis alagamentos ou inundações de córregos por causa do lixo descartado nas ruas - que entope os canais e bueiros - ou pelo fato de a cidade estar cada vez mais impermeável. “Hoje, nosso grande problema são as enxurradas”, afirma.

Em abril de 2001, um temporal provocou o transbordamento de córregos como o Barbado e Ribeirão do Lipa atingindo bairros como Castelo Branco e Praeirinho. Mais de duas mil pessoas ficaram desabrigadas e dez morreram. Sobre o Rio Cuiabá, Oscar Amélito observa que a barragem fechada diminuiu em 35% a vazão.

“A usina abrange os rios Casca e Manso. Com precipitação acima do lago, a barragem segura no nível da enchente. Mas, se for abaixo, não ajuda muito. Nosso termômetro é Rosário Oeste”, acrescentou.

Em uma situação de emergência, segundo ele, as autoridades públicas têm 72 horas para evacuar as áreas que serão atingidas.


Autor: JOANICE DE DEUS
Fonte: Do DC


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